Domingo, 27 de Maio de 2012

Táxi


Não posso estar a generalizar, mas tenho notado que nalguns casos as pessoas aproveitam-se do facto de sermos brancos e de supostamente (supostamente!) termos dinheiro. Por isso, tudo tem de ser negociado. Numa das muitas visitas que fiz à procura de casa, tive de andar de táxi com uma pessoa da imobiliária e um intermediário (ambos moçambicanos). Como a maioria dos táxis não tem taxímetro (até agora só encontrei um com essa avançada tecnologia), quando entramos no táxi temos de perguntar quanto é que custa ir para determinado sítio e, se necessário, negociamos o valor. Mas neste caso, o taxista aproveitou-se do facto de estarmos dois portugueses no táxi e quis cobrar muito mais do que o normal. Como é óbvio, as pessoas que estavam connosco não concordaram e lá tivemos de sair e entrar noutro táxi!

Procurar casa em Maputo… Mas que aventura!


Nas duas últimas semanas tenho estado à procura de casa, o que me permitiu conhecer um pouco melhor a cidade e alguns pontos de referência. Mas tem sido uma grande aventura por várias razões. Em Maputo as casas são muito caras, sobretudo na zona mais central (Polana). Aqui é muito difícil arranjar um T3 mobilado por menos de 2000 USD, já que os preços têm vindo a aumentar muitíssimo. Arranjar casas mobiladas também é muito complicado. E o facto de existirem imobiliárias diferentes a alugar a mesma casa e de haver muitos intermediários, também não facilita nada as coisas.

Mas penso que, no meio disto tudo, o pior mesmo é o facto de haver uma certa ganância. Se há imobiliárias e senhorios que são sérios (e quero acreditar que é verdade), há outros que só vêem dinheiro à frente. Quando estávamos quase a assinar contrato para uma casa, soubemos que o senhorio alugou essa mesma casa a outra pessoa que ofereceu um valor superior. A segunda desilusão chegou quando, no dia em que íamos assinar contrato de outra casa, o senhorio decidiu aumentar o valor da renda em 150 USD e não conseguia garantir em que dia é que a casa estaria livre. Não é que seja uma diferença muito grande (até porque somos 4 pessoas a dividir casa), mas mais uma vez a palavra de honra não teve o valor que eu acreditava que teria.

Os primeiros dias


Depois de tantas horas no ar, finalmente cheguei a Maputo! Mal saí do aeroporto deparei-me logo com a (menos positiva) realidade africana, que já tinha conseguido avistar do ar, quando o avião estava a preparar a aterragem. É uma zona onde as habitações são barracas ou então casas muitíssimo degradadas. Não é propriamente a melhor recepção que se quer ter num país novo, mas é a realidade. Não digo que foi um choque, mas é a primeira vez que estou num país sub-desenvolvido e ver algo assim dá que pensar.

Confesso que no primeiro dia fiquei um pouco desiludida porque a realidade é muito diferente daquela a que estou habituada. Mas logo no segundo dia comecei a gostar da cidade. O centro da cidade é bastante diferente, apesar das estradas e dos passeios estarem muito degradados, sobretudo os passeios! Caminhar na rua parece uma prova de obstáculos! Também há edifícios degradados, mas isso é coisa que também não falta em Portugal! Mas Maputo é uma cidade muito bonita, tanto pelos edifícios que tem da época colonial e do seu auge enquanto Lourenço Marques, como pelas árvores que se vêem nas ruas. Agora consigo perceber o saudosismo que os chamados retornados sentem, apesar de ainda só conhecer uma pequena parte da cidade.

Domingo, 13 de Maio de 2012

A caminho de Maputo (13 de Maio – 2 a.m.)

A partir de hoje, e durante os próximos 6 meses, Moçambique passa a fazer parte da minha vida e do meu mapa. A razão: Inov Contacto C16. Tive a felicidade de ter sido seleccionada, entre muitos, para este programa de estágios internacionais, que chama “nata” e “elite” aos seus estagiários. Vai ser, de certeza, uma forma de aprender e de crescer a nível pessoal e profissional e estou entusiasmada para começar este desafio!
No momento em que estou a escrever este texto (que não é o mesmo da sua publicação), estou algures sobre África e sob a noite africana, a tentar arranjar forma de passar o tempo num voo de quase 11 horas com destino a Joanesburgo (e só mais tarde para Maputo), depois de já ter feito escala em Londres (que visto de cima também é verdinho como a Irlanda! :) ). O destino já estava decidido praticamente há 1 mês, mas a confirmação do voo chegou 2 dias antes, o que só me deu 1 dia para tratar de tudo numa grande correria. Com a pressa e o stress de conseguir levar numa mala de 23 kg tudo o que preciso para os próximos 6 meses (o que foi impossível – os CTT é que vão lucrar com isto) acabei por não conseguir falar com toda a gente. Mas o tempo passa a correr e com a Internet conseguimos encurtar as distâncias!
Por isso mesmo é que comecei a escrever neste blogue. Já o tinha criado há mais de 1 ano para um trabalho da pós-graduação e a ideia era continuar a dar-lhe uso. Não aconteceu, talvez porque ainda não tinha surgido o momento e a oportunidade certa, mas agora tenho uma razão. Espero que venham cá espreitar as novidades, porque pretendo partilhar aqui esta minha nova aventura!